Descomplicando o falar em público com foco na realização de audiências


          No início de qualquer carreira um dos maiores desafios encontrados é quando você tem que falar em público. Na advocacia não é diferente, pode haver um grande frio na barriga quando se trata da primeira audiência. Seja por receio de falar em público, ou também pela insegurança de falhar no ato, a realidade que define essas situações é que você está prestes a sair da zona de conforto. E como sabemos, isso não é fácil.

          Quando se fala pressão do medo de falhar, não só falar, mas também falhar em público, podemos pensar em alguns comportamentos que possam prevenir quaisquer óbices para o seu sucesso. A priori, sabemos que se possível, é sempre bom ir acompanhado de alguém que já tenha o “know-how”, isto é, que já conheça o caminho pelo qual você estará prestes a passar. Mas e se isso não for possível? Se você tem um compromisso com seu cliente, e tem que ir, falar e não falhar, ainda por cima sozinho?

          Bom, acima de tudo, saiba que você deve passar segurança ao seu cliente. Mas para isso, deve primeiramente se sentir seguro. Então passemos a pensar sobre possíveis acertos e erros em se tratando da prática em audiências.

1. Você de pronto deve dominar o caso. Seja uma audiência de conciliação, de instrução e julgamento, independente do tipo de diligência, você deve estudar o caso previamente, saber do que se trata o processo, isso vai te dar segurança para pensar com tranquilidade no passo a passo que deverá seguir;

2. Saiba que é bastante normal você levar suas anotações sobre o caso e nelas enumerar todos os pontos controvertidos aos quais você dedicará suas indagações, não tenha vergonha de levar suas notas. Isso mostrará que você é atencioso e dedicado;

3. Se você perceber que está nervoso ou ansioso demais, leve para a sala de audiência uma aguinha, ou café. Caso bata o nervosismo, tome essa água, respire fundo, que seu foco voltará;

4. Nunca é demais lembrar que a boa educação, humildade e respeito são premissas básicas para o sucesso de qualquer interação com outras pessoas. Sempre lembrando que todas as partes processuais são iguais perante a lei, logo, devem sempre se tratar de igual para igual, com bastante respeito;

5. Por último, porém não menos importante, você tem que entender o trâmite e o andamento processual da sua área de atuação e as devidas particularidades (processo civil, trabalhista ou penal). Domine, e tudo ficará mais fácil! Você deve enxergar o processo de uma maneira global, não apenas pormenorizada.

          Agora que já pontuamos os acertos em se tratando de audiências, é bastante válido indicarmos o “tripé” do que não se deve fazer, ou seja, seguem os erros a se evitar em audiências:

1. Quando ocorrer de pedir diligência a um colega advogado, passe o estudo do caso junto com o substabelecimento. Fale dos pontos controvertidos, a fim de que ele vá preparado para a audiência, afinal, que Juiz apreciará se o advogado ad hoc afirmar que não conhece o processo e que só está nomeado para o ato?

2. Quando se tratar das suas indagações em audiência, não faça perguntas “só por fazer”, não fique repetindo perguntas as testemunhas. Se a testemunha já falou, ela não tem obrigação de reafirmar! Você só deve pedir que a testemunha reafirme algo já dito, caso você alegue alguma contradição no discurso dela.

3. Jamais “discuta” ou troque alfinetadas com a testemunha, ou com qualquer parte do processo. Em hipótese alguma se exalte! Caso haja alguma situação de ânimo exaltado, mostre de uma forma elegante, com tranquilidade emocional os porquês pertinentes da sua tese. Se a testemunha estiver cometendo falso testemunho, pela ordem, indague de maneira profissional. Qualquer Juiz gosta de participar de uma audiência com um advogado preparado profissional e emocionalmente também. Não deixe que nada te tire do sério;

          Por fim, basta ter clareza e objetividade em toda e qualquer pergunta ou indagação que você fizer. Ainda, sempre preste atenção no que você fala, e muito mais no que você ouve.

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